Eu recomendo a leitura da matéria do New York Times The Human Touch That May Loosen Google’s Grip publicada anteontem. O autor Randall Stross é professor universitário em San José, California e começa com uma frase que achei excelente : Era uma vez, a Coca-Cola representava a fórmula secreta do mundo dos negócios americanos. Hoje essa fórmula secreta é o algoritmo do Google 
O autor cita Don Dodge, um executivo da Microsoft que fez o cálculo seguinte no seu blog pessoal o mês passado. Em março passado 7,3 bilhões de pesquisas foram feitas nos buscadores nos Estados Unidos. 1% dessas pesquisas multiplicado por 0,12$ em renda de propaganda por clique daria um faturamento anual de 105 milhões de dólares (200 milhões de Reais). É por isso que hoje muitas novas empresas de alta técnologia estão sonhando ocupar o espaço ocupado pelo Google.
Como conseguir bater o Google ? Aparentemente, o rumo que seguem essas novas empresas é elaborar um sistema híbrido que coloca de volta o ser humano dentro da equação de pesquisa. Uma mistura de algoritmo (como o Google) e de toque humano. Tem as empresas que desenvolvem a noção de busca social (social search). Os usuários podem dar opiniões e votar para os websites que eles acham mais relevantes. Há vezes tem um editor que faz uma revisão das opiniões formuladas por visitante. Um outro site oferece ajuda online aos visitantes através de um bate-papo com um operador que responde as perguntas.
O autor da matéria, também professor de negócios, cita o exemplo do Mahalo ("obrigado" na lingua de Havaí) que abriu o mês passado. O Mahalo é financiado por uma firma de capital de risco do Vale do Silício (a Sequoia Capital) que no passado já financiou o Yahoo! e o próprio Google. Mahalo tem 30 editores e se focalisa sobre as pesquisas mais comúns da Internet. Quando não tem conteúdo, oferece um link que abre a página de resultados do Google.
Na opinião do professor Randall Stross, o Mahalo tem uma vantagem sobre o Google : agrupar os links em subtema, o que facilita a navegação e é mais prático pelo visitante para encontrar o que ele procura. Por exemplo na página sobre Paris Hilton, existem rubricas diversas como atualidade, fotos, fofocas, satira, humor. Com a relevância das categorias, não precisa daquelas duas linhas de resumo que o Google coloca em baixo de cada resultado. Essa página apresenta 80 websites, um site por linha e todos agrupados em subtema. A idea é oferecer uma experiênça de busca melhor que os 10 resultados + 2 links patrocinados da primeira página do Google sobre Paris Hilton.
Para vender o seu conceito ao público, o Jason Calacanis (dono do Mahalo) defende uma posição basicamente anti-Google. Pare ele, os primeiros resultados do Google são infestados de spam e muitas vezes não oferecem qualidade na experiênça de busca. Ao invés do Mahalo, que segundo ele elimina o spam através da seleção editorial.
Será que é um progresso, ou um retorno ao passado ? Num passado não tão longe, quem queria explorar a web usava um diretório como o do Yahoo! que ficou o mais famoso de todos. Na fase seguinte da evoluição da web, o Yahoo! ficou muito, muito atras do Google e teve que imitar o Google e desenvolver o seu próprio algoritmo de busca. Será que estamos voltando a esses tempos pre-modernos ?
O professor Randall Stross, autor da matéria, parece concordar com o dono do Mahalo e adota uma posição bastante fundamentalista em relação à otimização em motores de busca : para ele isso tudo é spam. Ele apresenta o SEO como uma tentativa de burlar o algoritmo do Google, com a consequencia que os resultados de busca são infestados de spam. Claro que não concordo com essa visão, nesse ponto não podemos esquecer que o New York Times não é um jornal especialisado mas sim generalista.
Edição 29 de junho. Agradeço o António Dias por ter chamado a minha atenção sobre o fato do Randall Stross não ser um simples jornalista do New York Times, mas sim um professor da Universidade de Estado de San José, California. O meu próprio comentário incriminando o New York Times por não ser um jornal especialisado parece irrelevante agora
Vou me salvar dizendo que o Randall Stross não é um especialista em busca mas um professor de negócios, o que não o qualifica obrigatoriamente por dar palpite sobre SEO.
A idea de Jason Calacanis e do website Mahalo é explorar o entusiasma de contribuidores como aqueles que escrevem artigos para Wikipedia. Ele prevê uma remuneração de 10$ a 15$ para contribuidores que aceitam escrever artigos sobre assuntos cujo eles dominam o conteúdo. Antes de ser publicado online, o artigo passaria por uma revisão pelo time de editores do Mahalo.
Como fala o próprio Matt Cutts, o Google não descarta a possibilidade de contar com o feedback des visitantes para ajustar e melhorar os resultados de busca. Quem vai oferecer os melhores resultados de busca : um algoritmo com um toque humano, ou uma seleção humana com a ajuda de ferramentas modernas ? Eu aposto no algoritmo, que para mim já venceu a briga no final dos anos 90.
Alguem pode me explicar o quê o Mahalo oferece, que o Diretório Yahoo! já não oferecia há quase dez anos atras ?
Esse artigo foi modificado sexta-feira, 29 de junho.