Web 2.0

Colocar o usuário no controle, isso é uma das bases da "nova" internet construida a partir de conteúdos colaborativos e conhecida como Web 2.0. A idéa de conteúdos colaborativos é uma utopia, onde todos os usuários podem se expressar sem limite. Quando alguem publica um vídeo no YouTube por exemplo, é como se um pedaço da Internet lhe pertencesse. A pessoa pode falar para os amigos nos fóruns ou outros espaços interativos : "Tá vendo isso? EU que fiz !"
Basicamente a Web 2.0 significa que :
1/ qualquer um tem as ferramentas geralmente gratuitas para colocar o que quer na Internet,
2/ vários assumem esses conteúdos como verdade.
Esses conteúdos não controlados, são naturalmente valorizados pelo público (mesmo com textos mal escritos e com erros grosseiros de grafia como podemos ver em vários blogs). Não dá para negar que a idéia é muito bonita, mas será que a prática não vai em direção ao caos ? Os conteúdos colaborativos da Web 2.0 são questionáveis em duas dimensões : a confiabilidade e a qualidade desses conteúdos.
Por exemplo, utilizar o Wikipedia como referência em trabalhos acadêmicos é totalmente repudiado. Pelos profissionais da ciência da documentação, o Wikipedia não é considerado um conteúdo sério, bem desenvolvido, confiável. A natureza mutável e desorganizada dessa pseudo-enciclopédia é questionável. Não ter acesso ao conhecimento e à cultura, enfim não aprender é um problema sério. Mas aprender errado, não é pior ?
O público internauta é tudo entusiasmado com os conteúdos colaborativos, a possibilidade de compartilhar fotos, imagens, sons, músicas, textos. Mas isso não deve esconder os aspectos questionáveis da Web 2.0 : quem utilizaria uma enciclopédia errada cheia de mentiras para estudar ? É como um jornal ou revista que divulga boatos alarmantes. Na vida real, quem leria ou confiaria nesse jornal ?
A liberdade proporcionada pela Web 2.0 é realmente formidável, mas temos que tomar cuidado para a liberdade não virar anarquia ou bagunça, senão perde a função. A liberdade deve ser bem utilizada. Do jeito que a coisa anda hoje, a falta de confiabilidade da Internet pode causar a decadência da própria Internet.
Para ter conteúdos de qualidade e confiáveis, os jornais tradicinalmente colocam um profissional qualificado para editar o conteúdo, é a famosa figura do editor. O papel do editor é de supervisionar os conteúdos providenciados pelos jornalistas; muitas vezes o editor "filtra" esses conteúdos para não deixar passar "informações" duvidosas ou boatos. Mas com a Web 2.0, essa figura entra em conflito com a liberdade total assumida.
O crescimento dos conteúdos colaborativos na Internet podem chegar a matar a figura do editor (que na sequencia mataria a figura do jornalista). Em certos blogs o editor tradicional de imprensa é visto como um déspota que precisa ser decapitado em nome da inteligência coletiva. A escolha de uma multidão é vista como obrigatoriamente sinônima de qualidade.
A questão é a seguinte : será mesmo que os conteúdos produzidos pelos próprios usuários da Internet são sinônimo de qualidade ? Muitas vezes é justamente o contrário. Exemplos são inúmeros no Digg e no Wikipedia. Parece claro que os conteúdos colaborativos precisam ainda amadurecer muito para poder ser comparado à informação tradicional. Mesmo no Digg, apesar dos conteúdos ser "selecionados" pelos próprios usuários (pseudo-meritocracia)...
É interessante estudar a adoração quase religiosa que se desenvolveu em torno da Web 2.0. Atras dessa nova cultura pop, tem a idea que o coletivo supera as qualidades individuais, incluindo a geração de conteúdo. A opinião de 1000 pessoas vale mais que aquela de um simples editor... Será que é bem assim ? Existe mesmo essa "inteligência coletiva" da Web 2.0 ?
Os gurus da Web 2.0 citam sempre o Digg como exemplo. A realidade é que nos sites de informações mantidos por editores e jornalistas se encontra um material muito melhor que num post de um blog qualquer, escrito por um adolescente que ensina como destravar o Playstation 3, ou então discute como o Wii é melhor que o XBox 360.
É interessante notar que na maioria das vezes, as notícias destacadas nos blogs não interessam a maioria do público e usuário da Internet. Quase tudo só tem a ver com as novas tecnologias : Internet, Linux etc.
A função de editor provavelmente sempre existirá, apesar do Web 2.0. Não adianta falar que os usuários têm a total liberdade para publicar, isso seria uma verdade se todos os usuários soubessem escrever de uma forma objetiva e conseguissem expor suas idéias sem se confundirem com suas próprias argumentações. Concretamente os erros ortográficos, os problemas na coesão e coerência dos artigos, acabam sendo tratados pelo editor. Como especialista o editor save como melhorar a forma que a idéia de um determinado texto quer passar. É muito improvável a Web 2.0 mudar essa realidade.

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